Na Polinésia não é a ilha que sai cara, é chegar até ela. O voo de longo curso consome metade do orçamento antes da aterragem, e cada ilha acrescentada custa entre 200 e 400 € de voos internos. É essa limitação, e não as fotografias da lagoa, que deve decidir o itinerário.

Atualizado a 17 de setembro de 2026 · Dem-Tukki

🗺️ Os cinco arquipélagos numa tabela

A Polinésia Francesa cobre uma superfície marítima tão grande como a Europa, para 118 ilhas e pouco menos de 280 000 habitantes. Tudo parte de Taiti: é ali que aterram os voos internacionais e é de lá que saem quase todos os voos internos.

ArquipélagoIlhas principaisDesde TaitiO que se encontra
SociedadeMoorea, Huahine, Raiatea, Tahaa, Bora Bora, Maupiti30 a 50 min de aviãoMontanhas verdes e lagoas; toda a infraestrutura turística
TuamotuRangiroa, Fakarava, Tikehau1 h a 1 h 30 de aviãoAtóis planos, passagens, o melhor mergulho
MarquesasNuku Hiva, Hiva Oa3 h 30 de aviãoFalésias, cavalos, sítios arqueológicos; sem lagoa
AustraisRurutu, Tubuai1 h 30 a 2 h de aviãoBaleias-de-bossa, clima mais fresco, turismo quase nulo
GambierMangareva4 h de aviãoCultivo de pérolas, património religioso; quase nenhum visitante

Na prática, uma primeira viagem de duas semanas cabe nas Ilhas da Sociedade, quando muito com um atol das Tuamotu. As Marquesas, as Austrais e as Gambier são viagens por si só, não extensões.

🏝️ As Ilhas da Sociedade: o coração da viagem

Taiti não é um postal, e ainda bem. Papeete é uma cidade a sério, com trânsito, mercado e as roulottes, as carrinhas de comida que tomam a marginal ao anoitecer. A costa é negra e vulcânica, o interior é espetacular. Reserve uma noite à chegada para recuperar do fuso horário e guarde um dia no regresso para a península de Taiarapu e para os vales. Não é aqui que se vem tomar banho.

Moorea fica a trinta minutos de ferry de Papeete, por cerca de 1 350 F por trajeto — pouco mais de 11 €. É a ilha mais fácil de toda a Polinésia: montanhas recortadas, duas baías profundas, uma lagoa pouco funda, pensões acessíveis e nenhum voo interno a pagar. Se o orçamento aperta, a resposta é Moorea.

Huahine é a ilha que recomendamos tanto a quem teme aborrecer-se como a quem teme a multidão — ou seja, a quase toda a gente. Duas ilhas ligadas por uma ponte, baunilha, as enguias sagradas de Faie, marae à beira de água e um turismo que se manteve à escala humana. É a melhor terceira paragem de um itinerário.

Raiatea é a ilha sagrada. O marae de Taputapuātea, inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO em 2017, é o centro religioso de onde partiram as grandes migrações polinésias. Raiatea quase não tem praia: toma-se banho nos motu, os ilhéus pousados sobre a barreira de coral. É também a base da navegação à vela na Polinésia.

Tahaa partilha a lagoa de Raiatea e alcança-se de barco a partir desta. É a ilha da baunilha, sem aeroporto e sem hotel de cadeia. Vai-se pelo jardim de coral e para dormir numa pensão à beira da lagoa.

Bora Bora merece a fama e o preço. A lagoa é extraordinária, o monte Otemanu domina tudo e os bungalows sobre estacas estão onde os imaginamos. É também a ilha mais cara da Polinésia, a mais concorrida, e aquela de que por vezes se regressa algo desiludido se lá se passar uma semana inteira. Três noites costumam bastar.

Maupiti é o que Bora Bora era há cinquenta anos: uma lagoa do mesmo calibre, um monte que se sobe numa hora e nenhum hotel — apenas pensões familiares geridas por residentes. As mantas passam pela lagoa. É a escolha de quem quer o cenário sem a cerimónia.

🐬 As Tuamotu: anéis de coral pousados sobre o oceano

Mudança total de cenário. Aqui não há montanha: um atol é um anel de coral com alguns metros de altura em torno de uma lagoa imensa. O ponto mais alto é um coqueiro. Vem-se pelo que acontece debaixo de água, e sobretudo nas passagens, esses cortes no anel por onde a maré faz entrar e sair o oceano, e com ele tudo o que nada.

Fakarava é o nome que os mergulhadores do mundo inteiro citam. O atol faz parte de uma reserva da biosfera da UNESCO. A norte, a passagem de Garuae tem 1 600 metros de largura: é a mais larga da Polinésia Francesa. A sul, a passagem de Tetamanu abriga o famoso muro de tubarões, centenas de tubarões-cinzentos imóveis na corrente em plena luz do dia. A aldeia do sul tem algumas dezenas de habitantes e duas ou três pensões.

Rangiroa é o maior atol da Polinésia e um dos maiores do mundo — a sua lagoa poderia conter a ilha de Taiti. A passagem de Tiputa é conhecida pelos roazes, que vêm brincar na corrente. É o atol mais bem equipado: várias pensões, um hotel, uma vinha e voos diários desde Taiti.

Tikehau é o atol suave: uma lagoa cheia de peixe, praias de areia rosada e um ambiente bastante mais calmo do que Rangiroa. É o atol certo para quem não mergulha mas quer ver o que é um atol.

Um atol exige algo em troca: não há relevo, logo não há caminhadas, há muitas vezes uma única loja e por vezes nenhuma caixa multibanco. Três a quatro noites são um bom formato.

⛰️ As Marquesas: ao contrário do esperado

As Marquesas não têm lagoa, quase não têm barreira de coral e as praias são de areia negra em vez de branca. O que têm: falésias que caem no oceano, vales profundos, cavalos em liberdade, os maiores sítios arqueológicos da Polinésia e uma tradição intacta de escultura e de tatuagem. Hiva Oa guarda os túmulos de Paul Gauguin e de Jacques Brel.

O voo desde Taiti dura quase quatro horas e é caro; o Aranui, o cargueiro misto que serve o arquipélago, é uma viagem em si. Não é uma extensão de quatro dias: é outra viagem.

🐋 As Austrais: as baleias

De julho a novembro, as baleias-de-bossa sobem das águas antárticas para dar à luz nas águas quentes polinésias. Observam-se quase por todo o lado — Moorea e Taiti oferecem saídas —, mas Rurutu, nas Austrais, é o sítio onde por vezes se veem a partir da costa, sem sequer apanhar um barco. O clima é mais fresco e o turismo quase inexistente. As saídas de observação são enquadradas e reservam-se com muita antecedência.

✈️ A pergunta que decide tudo: os voos internos

É este o verdadeiro assunto. A Air Tahiti é a única companhia interna e cada salto de ilha sai caro. Em vez de comprar os voos um a um, a companhia oferece passes multi-ilhas, válidos 28 dias (40 com prorrogação), que impõem um circuito fechado com partida de Taiti, um mínimo de duas ilhas e uma só visita por ilha.

PasseIlhas abrangidasA partir de (época baixa)
MaevaMoorea, Huahine, Raiatea, Bora Bora416 € (2 ilhas) a 510 € (4 ilhas)
MaupitiAs anteriores mais Maupiti552 €
TuamotuRangiroa, Tikehau, Fakarava484 €
RevaSociedade e Tuamotu, até 8 ilhas510 € a 822 €
MarquesasNuku Hiva, Hiva Oa821 €
AustraisRurutu, Tubuai541 €

Tarifas de referência consultadas em setembro de 2026 no site da Air Tahiti, em época baixa e sem impostos eventuais. Os preços sobem na época alta e os passes não são reembolsáveis depois de emitidos. Confirme sempre junto da companhia antes de reservar.

A lição é simples: cada ilha adicional custa 100 a 200 € por pessoa, mais meio dia de transferes. Três ilhas em duas semanas é um bom ritmo. Cinco ilhas em duas semanas é uma viagem passada em aeroportos.

⛴️ O que se pode fazer de barco

Duas ligações marítimas permitem poupar voos, e são as duas boas notícias do orçamento polinésio.

O franco CFP está indexado ao euro a paridade fixa: 1 000 F valem cerca de 8,40 €. As conversões desta página usam esse câmbio.

🔀 Três itinerários que funcionam

  1. Duas semanas, primeira viagem, orçamento controlado: 1 noite em Taiti, 5 em Moorea (de ferry), 4 em Huahine, 3 em Raiatea, regresso. Um único passe Maeva, pensões familiares e o barco para Moorea.
  2. Duas semanas, lagoas e mergulho: 1 noite em Taiti, 4 em Fakarava, 3 em Rangiroa, 4 em Moorea. Passe Reva. O contraste entre atol e ilha alta é o mais forte que existe.
  3. Dez dias, lua de mel: 1 noite em Taiti, 4 em Moorea, 4 em Bora Bora, guardando as duas últimas em bungalow sobre estacas. O orçamento joga-se inteiro nessas duas noites.

📅 Quando ir

A Polinésia tem duas estações, e a diferença entre elas é menos brutal do que se pensa: o tempo é bom durante boa parte do ano e a temperatura da água nunca desce verdadeiramente.

O bom compromisso: maio-junho e setembro-outubro. O tempo é o da estação seca, os preços e a afluência são os da meia-estação. E de julho a novembro estão lá as baleias-de-bossa.

💶 Que orçamento prever

A rubrica que domina tudo é o voo internacional: conte 1 200 a 1 400 € ida e volta a partir da Europa em época baixa, e até 2 000 a 2 500 € em julho e agosto; a maioria das rotas faz escala em Los Angeles, Tóquio ou Auckland. No destino, tudo depende do alojamento.

FórmulaOrdem de grandeza por noitePara quem
Pensão familiar200 a 240 € o quarto duplo, muitas vezes em meia pensãoA grande maioria dos viajantes; a única fórmula em Maupiti e nos pequenos atóis
Hotel de três estrelascerca de 300 €, refeições não incluídasQuem quer conforto de hotel sem o preço da estaca
Bungalow sobre estacas1 000 € ou maisDuas ou três noites no final da viagem, não duas semanas

Somando voo, passe aéreo e alojamento, uma viagem de duas a três semanas fica correntemente por 3 000 a 4 000 € por pessoa em fórmula de pensão e época baixa, e por 5 000 a 7 000 € numa fórmula confortável com algumas noites de exceção. Acima disso, entra-se na viagem de luxo.

Ordens de grandeza registadas em setembro de 2026. Os preços polinésios variam muito consoante a estação e a ilha: num atol tudo chega de barco ou de avião, e isso vê-se na conta.

⚖️ O veredicto

Se houvesse apenas uma coisa a reter: reduza o número de ilhas. O reflexo natural, quando se fazem 18 000 quilómetros, é querer ver tudo. É o erro que mais custa e o que estraga mais dias.

Para uma primeira viagem, Moorea e Huahine dão a melhor relação entre deslumbramento e orçamento de toda a Polinésia, com um ferry em vez de um voo para a primeira. Acrescente Bora Bora se a ocasião for especial, Fakarava se mergulhar, e Maupiti se quiser a lagoa de Bora Bora sem os hotéis de Bora Bora.

Já sabe que ilhas quer? O passo seguinte está na nossa página de destino: estações em detalhe, alojamentos, voos e atividades.

Ver o guia Taiti e as suas ilhas

❓ Perguntas frequentes

Quantas ilhas se conseguem ver em duas semanas?

Três, com conforto. Quatro forçando. Cada ilha adicional custa um voo interno, meio dia de transferes e uma noite perdida a refazer as malas. Três ilhas bem escolhidas dão uma viagem mais rica do que cinco sobrevoadas.

É preciso visto para a Polinésia Francesa?

A Polinésia Francesa é uma coletividade ultramarina francesa. Os cidadãos da União Europeia não precisam de visto e basta-lhes um documento de identidade ou passaporte válido, consoante o itinerário. As escalas — muitas vezes nos Estados Unidos, no Japão ou na Nova Zelândia — impõem as suas próprias formalidades, como o ESTA. Verifique as condições da sua escala antes de reservar.

É possível percorrer a Polinésia sem apanhar um voo interno?

Sim, e é a melhor maneira de dividir o orçamento. O ferry liga Taiti a Moorea todo o ano por uma dezena de euros, e o Apetahi Express serve Huahine, Raiatea, Tahaa e Bora Bora a partir de Papeete por cerca de 59 € por trajeto. Uma viagem Taiti–Moorea–Huahine–Raiatea é possível sem um único voo interno.

Bora Bora vale o preço?

A lagoa está à altura da fama. A relação qualidade-preço não: é a ilha mais cara e a mais concorrida. A fórmula que satisfaz mais gente é passar lá apenas duas ou três noites, no final da viagem, e dedicar o resto a ilhas mais baratas. Maupiti oferece uma lagoa comparável por uma fração do preço.

Que ilha escolher para mergulhar?

Fakarava, sem hesitar, pela passagem sul e pelo seu muro de tubarões-cinzentos, e Rangiroa pela passagem de Tiputa e pelos seus roazes. Ambas ficam nas Tuamotu e combinam bem com o passe aéreo Tuamotu. As Ilhas da Sociedade oferecem bons mergulhos, mas nada que se aproxime das passagens dos atóis.

Qual é a melhor altura para ver baleias?

De julho a novembro, com um pico de agosto a novembro: as baleias-de-bossa vêm dar à luz em águas polinésias. Observam-se a partir de Moorea e de Taiti, e por vezes a partir da costa em Rurutu, nas Austrais. As saídas são conduzidas por guias acreditados e reservam-se com muita antecedência.

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